domingo, agosto 23, 2015

Lá vamos nós para mais uma Bienal do Livro









O escritor Clinton Davisson, presidente do Clube dos Leitores de Ficção Científica do Brasil, vencedor do Prêmio Nautilus da Revista Scifi News contos e autor da saga Hegemonia - O Herdeiro de Basten estará no estande da Editora Draco promovendo o Brasil Fantástico, segundo livro do CLFC que promove uma releitura do folclore nacional.

segunda-feira, maio 11, 2015

50 tons de Arquivo X

Com Gillian Anderson e Jamie Dornan, série The Fall nos deixa a impressão de ver a Agente Scully tentando prender Christian Grey


É engraçado saber que séries inglesas também precisam ganhar versões americanizadas para passar nos EUA. Esse inclusive é o tema de série, no caso Episodes. Mas isso fica bem claro quando assistimos The Fall.
 Quem se acostumou as tiros, explosões, correrias das séries americanas, vai ter dificuldade com o ritmo lento de The Fall. Embora isso seja uma qualidade a maior parte do tempo, confesso que às vezes perdi a paciência, principalmente no penúltimo episódio.


The Fall é uma série inglesa estrelada pela eterna Agente Scully de Arquivo X, Gillian Anderson, e pelo desejado Christian Grey na adaptação cinematográfica de 50 Tons de Cinza, Jamie Dornan. Criada por Allan Cubitt, a série apresenta os trabalhos da detetive Stella Gibson (Gillian Anderson), que é chamada pela polícia da Irlanda para investigar os crimes que vêm sendo cometidos por um assassino em série. O público acompanha simultaneamente os trabalhos da detetive e a vida do criminoso, Paul Spector (Jamie Dornan), um homem casado e com uma filha pequena, que não consegue conter seu desejo de atacar mulheres.


Com um ritmo lento, porém intenso, a série não faz cerimônia em explorar a sensualidade de seus atores principais e coadjuvantes. Mas é nas interpretações que os atores exibem o que tem de melhor. Rotulada para sempre como a agente Dana Scully de Arquivo X, Anderson volta a fazer uma investigadora, usa roupas bem parecidas, participa de autópsias, mostra o mesmo andar e as pernas imortalizadas em Arquivo X, mas é nas sutis diferenças entre as personagens que ela cresce e aparece. Stella Gibson é uma mulher madura, segura de si e de sua sensualidade. Além de tudo é tão fria que parece descender do iceberg que afundou o Titanic. Enquanto Scully vivia à sombra do Agente Mulder, Stella está sempre no controle e exala força em todas as cenas.  Em determinado momento um personagem chega a perguntar: “Você tem ideia do efeito que causa nos homens? Eu largaria tudo, família, emprego, tudo por você!” e recebe apenas um olhar gelado, como se mentalmente ela repetisse a famosa frase de Rick Blaine em Casablanca: “Se eu ao menos pensasse em você, provavelmente te desprezaria”.


 Já Jamie Dornan também faz um personagem que poderia ser muito bem uma variação de Christian Grey, ou talvez uma irônica fanfic de 50 Tons de Cinza com o tema: o que aconteceria se Christian Grey não fosse rico? Pacato psicólogo, pai de dois filhos, casado com uma enfermeira feiosa, Paul Spector ama sua família, é um profissional competente e, ao contrário de Christian Grey, nos é apresentado o tempo todo como um ser humano real.  Se você teve coragem de ir ao cinema ver 50 Tons de Cinza (não foi meu caso), deve ter rido na famosa cena onde o galã brega diz para Anastasia Steele que não faz amor, ele “fode... e com força”. Fica difícil imaginar o mesmo ator que protagonizou essa que talvez entre para a história como uma das piores cenas de todos os tempos no cinema, fazer uma declaração de amor para uma personagem específica nos últimos episódios que me fez literalmente desabar em lágrimas. Muito se comentou da atuação hipnótica de Vincent D’Onofrio como Wilson Fisk na série O Demolidor e provavelmente haverá prêmios para esse ator no próximo ano se existe alguma justiça neste mundo. Agora, Jamie Dornan não ficou atrás (sem trocadilhos maldosos, please) e mergulhou na psique de seu psicopata frio e implacável que também pode ser um pai de família amoroso e profissional exemplar.  A série é tão bem escrita que entendemos perfeitamente todos os porquês e motivações do personagem sem a necessidade de defende-lo ou mesmo redimi-lo. Ele é um escravo de seus próprios desejos, um viciado em morte.  Entendemos que a frieza que une Stella Gibson e Paul Spector os faz quase espelhos. Almas gêmeas que, em certo ponto, parecem ter consciência do que representam um para o outro.

Fica apenas o reforço do aviso: não espere uma série movimentada e se prepare para poucos acontecimentos. Mas esse ritmo, ou a falta dele,  é compensado largamente com um roteiro bem amarrado e atuações soberbas.

De ruim, fica apenas a estranheza diante do anúncio de uma possível terceira temporada. Não consigo imaginar que Stella e Paul tenham algo mais a me dizer. Entretanto, se tiverem, estarei lá para escutar, é o mínimo que posso fazer para agradecer esses atores e seus maravilhosos personagens.

terça-feira, janeiro 29, 2013

50 tons de cinza



A jovem virgem Anastasia Steele quebra um galho para uma amiga de faculdade e vai entrevistar um jovem empresário no lugar dela. Ela não faz curso de jornalismo, mas nos EUA, jornalismo não precisa de diploma universitário, então, qualquer um pode fazer o trabalho. E lá vai Ana com as perguntas na mão sem ter a mínima ideia de quem seja seu entrevistado. Aí aparece Christian Grey, rico, malhado, o mais belo dos belos. Ela faz uma entrevista ridícula, mas o destino dá um jeito dos dois se esbarrarem para, a exemplo de Crepúsculo, ele possa dizer para ela se afastar dele porque ele é “perigoso”. Claro que o cara vai ficar atrás dela o tempo todo só para dizer o quanto é perigoso e ela vai se apaixonar por todo aquele dinheiro, presentes e músculos bem torneados.
Para quem não lembra, eu defendi Crepúsculo anos atrás, apesar de todos os defeitos, relacionei seu sucesso a jornada do herói versão feminina. Onde a princesa encontra o príncipe perfeito e vive feliz para sempre. O absurdo da história é aceitável se a gente levar em conta os mitos masculinos que Arnold Schwarzenegger e Silvester Stallone emplacaram no cinema. Os caras podem bater, ou melhor, matar qualquer um que cruze seu caminho. Trata-se de uma válvula de escape para um mundo onde precisamos ser controlados e educados. Por que as mulheres não podem ter sua própria válvula de escape?
Fora o fator “dança do acasalamento”. Bella e Edward fazem o que qualquer casal apaixonado, adolescente ou não, costuma fazer. São contraditórios. Ele diz a toda hora que não podem ficar juntos, mas não larga do pé dela. Ela sabe que ele é “perigoso” por ser um “vampiro”, mas também não fica longe dele.
Agora, 50 Tons de Cinza, que começou como um fanfic de Crepúsculo, usa a mesma tática. Ele é tudo que uma mulher independente gostaria de ter como válvula de escape. Ou seja, um cara rico, bom de cama, culto, controlador e que gosta dela. Por que? Hora, deve ser cansativo levar vida de mulher independente, eu acho. Provavelmente muito mais dura do que a de um homem. Hoje em dia as mulheres costumam sustentar a casa, cuidar do marido, dos filhos, ser dona de casa e ainda arrumar tempo para estudar. Imaginar um cara rico que possa dar tudo que ela precisa e ainda ser bom de cama é um direito de sonho bem razoável, não acham?
O problema é que o livro é realmente feito para mulheres com a vida sexual muito, muito, muito monótona. Só assim para achar o livro picante. Fico me perguntando, será que os homens modernos são tão ruins de cama assim?
Gostei, entretanto, da tridimensionalidade do personagem principal, Christian Grey, ao menos ele tem uma explicação freudiana para agir do jeito que é. Ao mesmo tempo, o personagem é todo caótico. É rico, ok! Não nasceu rico. Adotado, filho de uma viciada em crack, passou dificuldades na infância. Ficou rico com o próprio esforço antes dos 30 anos. Na verdade tem entre 27 e 28 anos. Como ele arrumou tempo para ficar rico, aprender a pilotar, tocar piano, entender de vinhos, música clássica e literatura? Provavelmente com o dispositivo vira-tempo de Dumbledore.
A personagem Ana Steele é daquelas que você imagina com um corpão de garota do fantástico, mas cabeça de vento. Tudo o que ela faz para encantar Christian Grey é... nada. Ela só é bonita e gostosa. Além de burra o suficiente para não se dar conta disso. Demora a entender as piadas do cara. Demora a entender o que ele quer. Demora a entender tudo. Perto dela, Isabella de Crepúsculo poderia ser astronauta da Nasa.
O que menos gostei do livro foi a desonestidade da autora em relação a personagem principal. Claramente seduzida por toda grana e os presentes de Christian Grey, Anastasia jamais admite isso e apenas se questiona se ele é capaz de amá-la. Em um romance de verdade, isso acontece? Claro, sempre sentimos as dúvidas mais esquisitas e adotamos o comportamento mais incoerente quando estamos apaixonados. Mas no caso aqui, o problema é o exagero. Tudo em relação a riqueza de Christian é descrito com fetichização exacerbada, mas a autora tenta nos convencer que nada disso abala a cabeça da menina. Ela apenas quer ser amada. Lembrei do filme O Diabo Veste Prada onde ocorre uma situação parecida. A personagem de Anne Hathaway acaba sendo seduzida pelo glamour do mundo da moda e é justamente nessa corrosão de caráter que repousa o melhor do filme. O duelo entre o caráter da personagem e a sedução diabólica do mundo da moda. Daí o nome “Diabo” no título do filme, entre outras coisas. Aqui a autora joga isso fora para fazer uma criatura unidimensional e irritante. Ela precisaria de uma atriz muito carismática para defendê-la no cinema porque no livro, você entende claramente por que Christian Grey é fascinado por ela: ela é gostosa, muito gostosa. Mas não entende por que ele simplesmente não se limita a fazer sexo com ela e pronto. Ela é burra, não precisa conversar tanto com ela. Não precisa mandar tantos e-mails. Não precisa nada. Ela já se entregou totalmente e está feliz com os presentes. É só dizer que a ama que ela é idiota suficiente para acreditar.
Na maior parte do tempo, o livro não sai do lugar. O namoro dos dois começa e os dois transam. A primeira cena de sexo é leve e bem escrita, consegue ser excitante sem em nenhum momento parecer vulgar. Mas depois a coisa vai ficando repetitiva. A preocupação excessiva de Christian em não machucar Ana, entra em contraste com o discurso de que gosta de sadomasoquismo. Quando a prometida surra finalmente acontece, é algo tão sem sal que decepciona.
Enfim, 50 Tons de Cinza é um livro fundamental para se entender o mundo pós-feminismo, onde parece que as mulheres cansaram do discurso de independência e demonstram que encontrar alguém que lhes dê segurança financeira e lhes encha de agrados pode não ser o fim do mundo. Embora eu considere um livro bem machista, não é um machismo masculino. Ao contrário, é bem feminino. Lembrando que as pessoas mais machistas que conheci na vida eram mulheres, mas lembrando também que, o feminismo propõe não apenas direitos iguais, mas também que mulheres podem e devem ser seres humanos e, por isso, não precisam ser perfeitas. É na cobrança dessa perfeição que algumas religiões defendem que a mulher deve ter o clitóris extirpado, afinal, já são perfeitas então não precisam de mais esse prazer.
É nesse permitir não ser perfeita que o livro se encaixa. É o direito de descanso, de poder gostar de um canalha, de poder sair da linha, de experimentar coisas novas, nem que seja ler e gostar de um livro tão ruim. Duvido que leitoras de 50 Tons de Cinza vão vender a dignidade em troca de presentes, assim como fãs de Schwarzenegger não saem por aí matando as pessoas. É tudo uma válvula de escape.

domingo, agosto 26, 2012

Prêmio Argos de Literatura Fantástica


sexta-feira, agosto 24, 2012

Minha viagem com um imortal - 3ª e última parte


Chegamos a Juiz de Fora cansados. Não é uma viagem longa. Apenas três horas do Rio até o Bar Salvaterra onde paramos para encontrar a comitiva. Mas a Serra de Petrópolis tira qualquer um do sério.
O fato é que cheguei como um herói. O homem que pegou carona com o imortal! Falou-se até em uma estátua de Papel Machê em tamanho natural dentro da sala do Diretório Acadêmico Vladimir Herzog. Ficaria logo ao lado do boneco enforcado feito em homenagem ao jornalista que havia sido morto por enforcamento pela Ditadura. Era uma homenagem bem questionável, diga-se de passagem. Mas quando eu questionei isso aos dirigentes do D.A. responderam que ninguém acha de mal gosto homenagear Jesus Cristo com bonecos crucificados. Preferi não estender a conversa. Enfim, fui mais festejado talvez que o próprio Cony, que esbanjava bom humor e gostava claramente do assédio dos estudantes.
De lá, tomamos café e rumamos para o hotel.  No caminho, descemos pela Av. Independência e passamos em frente à Praça Presidente Antônio Carlos onde pudemos ver o Quartel do Exército.
- Olha, eu fiquei preso ali! – gritou o imortal apontando o dedo como uma criança que lembra das férias que passou na casa da avó.
Pensei comigo, eram realmente outros tempos os da Ditadura. O cara perdeu emprego, foi preso e exilado do país. Mas levava tudo numa boa, falando dos guardas como se fossem os primos sacanas que lhe puxavam as cuecas.  Conversei com ele sobre isso. Disse que, antigamente, prendiam, torturavam e matavam. Hoje, simplesmente não dão emprego a pessoa e pronto. Ele respondeu que a luta na época era por liberdade de poder dizer aquilo que se pensa. A luta foi vitoriosa, afinal, pois hoje, ninguém liga para isso. Dizer o que pensa é natural. Ninguém vai entrar na sua casa e te prender com medo de suas ideias. Isso foi, realmente uma vitória.
Anos depois, soube que o Cony recebeu uma indenização milionária pelos “inconvenientes” que envolviam mais de seis prisões e um exílio. Lembro que muita gente criticou indignada porque acha que os danos não foram tão grandes. Talvez não fossem, mas não estou qualificado para julgar isso. O fato é que o valor recebido pelo Cony é merecido, na minha humilde e insignificante opinião, como prêmio porque ousou combater um regime que oprimia, entre outras coisas, o livre pensamento. Acho que um país começa a trilhar sua grandiosidade quando reconhece os erros e as injustiças que cometeu.
A noite a palestra tinha casa cheia. Precisamos usar o auditório do curso de Direito na Faculdade ao lado, porque o nosso humilde auditório da Comunicação não comportaria todo mundo.
- Está muito cheio, né? – comentou Cony visivelmente surpreso com o amontoado de gente que se espremia para vê-lo.
Novamente, tentei usar do meu costumeiro e falho bom humor e soltei:
- Será que pensam que é o Paulo Coelho quem vem aqui hoje?
- Será? – perguntou seriamente. – Mas ele vem? O povo não vai ficar chateado se aparecer só eu?
Tentei explicar que era uma piada ruim, mas no final, tive que gritar para ser ouvido no meio da fuzuê da multidão. Ele entendeu e gostou de saber que todas aquelas pessoas estavam ali por causa dele, mesmo.
Fui promovido então de carona a segurança do imortal. Tive que lidar com excesso de gente querendo falar com ele. Pedindo coisas malucas: “Escreve neste papel algo que preciso fazer para me tornar um grande jornalista”, pediu um calouro.
O Edílson fazia a função com uma elegância sem comparação. E eu incorporando o espírito dos Corleones já querendo empurrar, bater e dizer que não era pessoal.
Na hora da palestra, o protocolo organizado pelo nosso D.A. foi realmente engraçado. Porque pediu para subir várias pessoas à mesa com o Cony, não as deixou falar nada e depois pediu para descer causando risos nervosos em todos. O Cony pediu para não ser chamado de imortal. Foi como o Pelé querer ser só o Edson, ou seja, totalmente inútil.
Da fala dele eu lembro pouca coisa. O que marcou foi a afirmação da recusa de fazer Bundas, a revista que causava certo furor na época por ser uma tentativa de continuação do lendário Pasquim.
- Me chamaram para fazer Bundas e eu respondi que fiz bundas a vida toda. Não era o que eu queria no momento – comentou o imortal diante das risadas da plateia.
Após a palestra e uma tumultuada saída do auditório fomos para um restaurante, o Faisão Dourado, acompanhados da professora Leila Barbosa de literatura, uma das pessoas mais simpáticas daquela faculdade. Apesar de ser perto de onde ele esteve preso, Cony parecia bem a vontade. Talvez se sentisse a vontade por estar perto de onde “morou” em JF. Lá nos sentamos e conversamos sobre vários assuntos.
Eu, como sempre, quis agradar e puxei assunto sobre operas. Algo que, na época, não entendia bulhufas. Cansado de tentar fazer pose, resolvi ser eu mesmo e falei de futebol. Para minha surpresa, ele puxou os assuntos que eu mais gostava: ficção científica e cinema. Foi uma conversa agradável. O imortal e eu, conversando como dois iguais. Lembrei do Dino da Silva Sauro que, no Dia do Arremesso, poderia jogar a sogra no poço de piche e isso o fazia ter direitos iguais aos de seu superior, Senhor Richfield. Me senti ali, naquele momento, um escritor de verdade. Como se, sentar-se a mesa com um grande escritor e o fato dele saber meu nome, me tornassem algo digno de nota.
Foi quando Carlos Heitor Cony comentou sobre 2001 – Uma Odisseia no Espaço e falou da experiência de ver o filme de Kubrick no cinema. Raíssa estava lá, com seus belos olhos azulados iluminando o prato de ravióli e perguntou o ano da produção o filme.
- 1969 – respondeu Cony.
- 1968 – corrigi.
- 1969 – insistiu o imortal.
- 1968 – insistiu o reles mortal, mais humilde dos humildes.
- 1969!
- 1968 – tornei a dizer e argumentei. – Eu fiz um trabalho sobre o filme outro dia para a faculdade, por isso a memória ainda está fresca.
De fato, o que me marcara na data era que todas as imagens impactantes de Kubrick haviam sido mostradas na tela um ano antes do homem descer na Lua. Argumentei ainda que os filmes demoravam a chegar ao Brasil antigamente. Guerra nas Estrelas, por exemplo, chegou ao Brasil em 1978. Apesar de ter sido lançado em 25 de maio de 1977 nos EUA.
- Mas tenho certeza que o filme é de 1969! – afirmou Cony com segurança.
- Vamos apostar? – provoquei.
- Vamos! – topou o imortal.
- Se eu estiver certo, você faz o prefácio do meu próximo livro!
- Combinado! – disse o imortal sem pestanejar. – E se eu estiver certo?
- Tudo bem, eu faço o prefácio do seu próximo livro! – falei com naturalidade. Todos riram, claro.
Bom, acompanhei Cony e Edilson até o hotel para explicar o caminho novamente. Juiz de Fora não é exatamente uma cidade pequena, com seus 500 mil habitantes. Senti aquele aperto no coração. Era o fim da jornada ao lado do imortal. Todos os meus sonhos e objetivos como escritor pareciam se refletir na testa calva daquele pequeno grande homem. Ele era jornalista, era escritor, era um formador de opinião. Tudo o que eu queria ser. Lembrei daqueles programas idiotas que levavam fãs para jantar com seus ídolos, mas eram cantores, atores e jogadores de futebol. Eu fui ator de teatro durante cinco anos, em Volta Redonda, atuei e escrevi peças e até filmes. Fui cantor durante três anos em Juiz de Fora e joguei futebol com frequência tão alucinada que cheguei ao ponto de passar em algumas peneiras. Não, não estou querendo desprezar essas profissões. Mas eu sou um escritor. Sempre quis ser um escritor. Se vou ser famoso, ou se vou ser bom, não importa. Mas algo me dizia que, naquele momento, eu estava mais perto da luz. Podia ser uma luz divina ou mesmo aquela luz da varanda que queima as mariposas idiotas. Sim, talvez eu fosse ali uma mariposa insignificante orbitando e tietando aquele cidadão. Mas foi um momento de alegria para mim.
Nunca tive coragem de cobrar o prefácio. Ele prometeu que leria o Fáfia e isso me dava mais medo que satisfação. Passados tantos anos, ainda me recordo com alegria daquela jornada a um mundo de seios, ventres, astronautas, militares e, sobretudo, um sujeito notável e imortal.


terça-feira, maio 15, 2012

Camiseta do CLFC

Pré-venda por R$30

segunda-feira, abril 09, 2012

Macaé vai ser invadida!!