quarta-feira, dezembro 23, 2020

Cedo ou tarde, o negacionismo da ciência vai cobrar seu preço

Segunda edição ampliada do sucesso literário, vencedor do prêmio Nautilus e finalista do prêmio Portugal Telecom de Literatura.


Orgulhosos de sua supremacia militar e cultural sobre as outras civilizações da galáxia, os disonianos se autodenominaram A Hegemonia. 


Seu império e sua cultura, entretanto, estão ruindo lentamente e seus cidadãos migram em massa para a realidade virtual em busca de um mundo onde não há frustrações, nem tristeza. Neste cenário, o jovem estudante Ron Schowlen compra um diário neural e começa a gravar seus pensamentos e sua rotina na capital da Hegemonia; até que uma decepção o faz abandonar tudo e voltar, depois de dez anos, para Elôh, seu planeta natal. Lá ele vai ter que reencontrar seus irmãos, Shodan e Dúnia, soberanos do reino de Basten. A tensão entre os três só é quebrada pelo pedido de ajuda de uma tribo distante de marsupiais cuja vila está sendo invadida pelos agressivos dragões vermelhos. Durante a viagem pelo cenário grandioso do planeta Elôh, com seu anel de fogo e suas aberrações gravitacionais, Ron vai conhecer melhor a economia e a cultura de um mundo cheio de contrastes sociais e diversidades religiosas. Enquanto se preparam para a derradeira batalha contra os dragões, Ron e seus irmãos vão descobrir que, nos domínios da Hegemonia, nem tudo é o que parece e a verdade pode ser algo muito mais terrível do que nosso pior pesadelo.


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quarta-feira, dezembro 16, 2020

segunda-feira, dezembro 07, 2020

Diário de um peladeiro 2020 – 3 – Apocalipse now

Reunidos em campo depois de seis anos

Realizando o sonho

Domingo, 6 de dezembro de 2020.

Eu comecei a escrever esta parte três logo em fevereiro, mas só voltei a jogar no final de novembro. Não foi exatamente uma pelada. Ainda estamos respeitando e muito o isolamento social imposto pela pandemia do Covid-19, mas eu e meus gêmeos achamos uma quadra vazia e jogamos nós três sozinhos. Era meio-dia e não tinha ninguém nem na praça para assistir e foi o jogo mais esperado dos últimos anos. Melhor que a final da Libertadores.

Veja bem, este diário tinha o objetivo de levar um pouco dos sentimentos que a gente confronta na vida e a metáfora que eu sempre consigo ver com o que acontece dentro daquelas quatro linhas. Descobri que isso era útil para outras pessoas também. Dizem que o xadrez é o jogo da vida. Bom, o futebol é um xadrez com 11 peças para cada lado ao invés de 16 do xadrez. Claro, o futebol que eu jogo são apenas seis peças de cada lado. E com essas peças podemos simular estratégias de vida, ações, atitudes. Dá para saber mais sobre uma pessoa vendo-a jogar que conversando. O estilo de jogo, as atitudes, dizem muito sobre a pessoa. No meu caso, como já falei muitas vezes neste blog, existe a ansiedade. A mesma ansiedade que não me deixa dormir também costuma me atrapalhar a jogar. Afinal, quando você tem uma bola nos pés e poucos segundos para decidir o que fazer com ela, seu controle sobre a ansiedade é testado ao máximo. Lembrando que, do outro lado, há outras pessoas que querem tomar a sua bola e no seu time há pessoas que têm opiniões distintas sobre o que você deve fazer, como deve agir.

Parte da ansiedade vinha de ficar longe de duas pessoas que sempre foram diretamente afetadas pelas minhas atitudes dentro do campo da vida. Dois meninos gêmeos que agora estão tendo sua despedida da infância e virando adolescentes.

Quando eram mais novos, eu aproveitava a varanda grande do prédio para ensinar eles a jogar futebol. Eles não são exatamente craques. Puxaram o pai. Mas há esperança para eles ainda.

Desde junho eu estou de volta a Macaé, novamente perto deles e, depois de 6 longos anos, conseguimos jogar de futebol de novo. Jogamos em Macaé, na quadra pública do bairro Mirante da Lagoa. Um bairro que eu adoro. E depois de tantos anos sonhando com isso, lá estavam eles, meus filhos em campo, jogando comigo. Desajeitados com a bola, mas felizes como o pai, curtindo cada momento. É como se toda a felicidade do mundo, toda a esperança, tudo o que vale a pena neste mundo estivesse ali, representado naquelas duas pessoas. 

Parecia um sonho. Eles estavam lá de novo, depois de 6 anos, jogando bola comigo. E eu sabia que desta vez eu não acordaria. Não era um sonho, era o fim de um pesadelo.

Comprei a bola um mês antes, ela estava meio vazia. Claro que comprei também uma bomba para encher, claro que ela não funcionou. Mas jogamos assim mesmo. Fizemos cruzamentos, chutes de longe, passes.

Não contei direito, mas na hora que “era para valer” fiz cinco gols. Depois catei, depois cruzei. A bola não estava ideal, mas quem se importa. Eles estavam ali, de verdade. Não era mais um daqueles sonhos em que eu acordava chorando. Em que eu os abraçava durante o sonho para ver se conseguia trazer eles comigo para o mundo real. Não, desta vez, era tudo verdade.

A quadra também tinha cesta de basquete e usamos para treinar uns arremessos. Lembrando que minha última partida de basquete na vida em Volta Redonda no Recreio do Trabalhador e, com certeza, tem mais de 30 anos. Eles levam mais jeito para basquete que para futebol. Ensinei o que eu lembrava. Adoraram ver eu passar a bola pelas costas.

Enfim, talvez não seja o meu melhor texto. Mas foi um dos dias mais felizes da minha vida. E talvez a pelada mais importante do ano. E estes cinco gols, jogados apenas com duas crianças em uma quadra de Macaé valeram mais que os outros 20.

Como o coronavírus ficou mais intenso nos últimos dias, combinamos de não jogar de novo este ano. Então, encerramos aqui o diário de um peladeiro de 2020. Vamos ver o que acontece em 2021...

 

Saldo de 2020

11 jogos

25 gols

15 pontos no basquete

Clinton Davisson é jornalista, pós-graduado em educação e mestre em comunicação. Autor de quatro livros, entre eles, a premiado Hegemonia – O Herdeiro de Basten.