O empoderamento da dor, ou a valorização do sofrimento como
parte essencial do crescimento humano, é um tema central na obra de Friedrich
Nietzsche, especialmente em Assim Falou Zaratustra e A Genealogia da
Moral. E já que estamos citando Nietzsche, vale também citar Newton: O
enunciado da Terceira Lei de Newton (Princípio da Ação e Reação) é descrito da
seguinte forma: “A toda ação há sempre uma reação oposta e de igual
intensidade: as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais
e dirigidas em sentidos opostos.”
Chegou sábado, eu evitei fazer qualquer movimento mais elaborado.
Corri, acho que até chutei a gol, mas não lembro de ter dado um passe para gol,
sequer. Gol então, nem pensar. Acho que ao invés de jogar futebol, eu fiz um spining
elaborado na quadra. Mesmo assim, cheguei em casa com os joelhos estalando do
dor.
Hoje, domingo, 13 de outubro, teve a entrega do manto
sagrado do Furabola FC, nosso querido Mustela. Dei dois passes para gol, um eu
lembro que foi para o Renan, que, aliás, acreditem, tem 15 anos, contra meus 53,
é como usar um Uno (eu) disputando contra um Fórmula 1(ele). Gostei também de ter armado ao menos três
jogadas que terminaram em gol. Fiz um gol com um passe açucarado do Ramon, só
precisei escolher o canto do gol e chutar de chapa à direita. E um de rebote,
também de direita. O Gabriel jura que fiz um gol chutando de fora da área, sim,
foi um chute lindo de Trivela, mas que eu me lembre, essa bola foi para fora. Gabriel
que hoje fez 4 gols, um deles de cabeça quando eu estava de goleiro. Aliás, tomei
mais gols hoje que o Julho Cézar na Copa de 2014, dois deles com falhas
grotescas minhas ao sair a bola de foram errada, mas vida que segue.
Já entendi que eu preciso me aquecer antes. No começo da
pelada eu fico sem fôlego, a cabeça não processa nada. A ansiedade tenta me
tirar a concentração, mas é para isso que a gente insiste em jogar futebol, porque
é o melhor meio de controlar a ansiedade. Desacostumado com o salão, a bola
corre muito. O domínio de bola é diferente. Mas vai chegando no final, tá todo
mundo cansado e eu tô lá ligado no 220v. Se eu tivesse uns cinco quilinhos mais
magro, dava para arriscar mais. De semana passada para cá, perdi 2kg, o que é
bom, mas correr com 97kg, sendo que 15 deles na barriga, não é nada bom. Só é
pior que ficar em casa depressivo. A escolha então é fácil.
Mas é isso. Amanhã vou ao médico para resolver como fazer as
pazes com o joelho e continuar emagrecendo. Porque se parar de jogar, é pior.
Prefiro mil vezes a dor no joelho à depressão. Assim como Nietzsche via no empoderamento
do sofrimento como o caminho para a transcendência pessoal, o autor deste
diário vê no futebol o meio para manter sua saúde mental e espiritual, mesmo
que isso venha ao custo de dores físicas. É essa relação com a dor que o
fortalece, fazendo com que, ao final, ele sinta que a superação é não só
possível, mas necessária.
Saldo 2024 |
7 jogos |
10 gols |
9
assistências |
Clinton Davisson Fialho é jornalista, com pós em cultura
africana e indígena e mestrado em novas tecnologias de comunicação. Autor de
cinco livros dos gêneros ficção científica e terror, vai lançar o sexto ainda
este ano, intitulado Hegemonia I – Vellanda.
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