quinta-feira, outubro 24, 2019

Diário de um peladeiro XXX – Chegamos a 30 gols em 2019


Entrei neste esquema maluco de três peladas por semana. Claro que não dá para comparar com os tempos de infância e tempos do Moinho de Vento. Mas é um bom desafio e financeiramente vai dar para manter ao menos este mês, depois volto ao normal com apenas duas.
Juro que não foi nada premeditado. As peladas do Sábado estavam inconstantes e existe o benefício de jogar sem pagar para quem leva os coletes para lavar. Claro que eu virei um lavador de coletes. As peladas de quinta, saem mais em conta se você paga por mês. E aí, apareceu esta pelada de terça, que tem vários amigos jornalistas de Juiz de Fora e companheiros da faculdade. Honestamente, não resisti.
Terça-feira, então, lá fui eu. Agora cheio de preparo físico, mais equilíbrio e... Na primeira dividida dei uma pisada no pé do Wendel, antigo colega de faculdade. A coisa fez um som tão horrível que achei que tinha quebrado alguma coisa no pé dele. Mas acho que foi só o barulho da borracha na chuteira. Me senti péssimo, mas ele nem ligou.
Duas oportunidades de gols perdidas por falta de treino. Uma a bola veio do alto e tentei mergulhar de cabeça e fazer o famoso gol de peixinho. Fiz muito isso nos tempos do Moinho de Vento. Você literalmente vai para a bola em um salto mortal. O problema novamente foi a mira e, com o gol vazio, eu cabeceei para a lateral. Péssimo...
Depois a bola sobrou sem goleiro e fiz um inacreditável futebol clube, chutando por cima.
E foi isso. Joguei bem, muito bem. Fiz ótimas jogadas e em uma delas tirei do goleiro com a esquerda e chutei de direita. A bola bateu na trave e depois na linha. Sim, em cima da linha. Por sorte, um jogador do meu time conseguiu completar para o gol. Ainda dei outros três passes para o gol e iniciei várias jogadas. Faltou só mesmo eu marcar o bendito gol.
Aí, veio quinta-feira. Acordei com um torcicolo monstro. Quase não fui a Academia. Me enchi de remédios e tentei repousar enquanto estudava francês e tentava terminar o roteiro do projeto que estou fazendo.
Só lá pelas três horas da tarde que resolvi arriscar e fui para a academia com torcicolo e tudo. Peguei pesado. Não doeu. Agora, enquanto escrevo este texto, o torcicolo ainda está lá, mas quase totalmente sumido.
Entre a academia e o futebol, comi um ovo mexido e um suco de laranja. Isso cerca de uma hora antes do jogo. Ainda assim, fiquei arrotando laranja metade do jogo. Fiz dois gols muito rápido. No primeiro num rebote do goleiro e o segundo acho que foi o mais bonito do ano até agora. Recebi um passe na entrada da área, à direta do goleiro e toquei que letra, com o calcanhar. A bola entrou forte no canto direito do gol, rente a trave.
Achei que ia ser um festival de gols, mas parou por aí. De certa forma, cansei. De outra forma, acho que o esquema em que o time estava jogando não ajudou muito. Volta aquela coisa que falei lá na primeira página do diário: o contraste entre o carioca e o mineiro. Abaixar a cabeça e sair driblando, sem tocar para ninguém, é pecado mortal no Rio de Janeiro, mesmo em peladas. Aqui em Minas Gerais é regra. Isso é extremamente irritante. Até porque 90% das vezes que alguém tenta fazer isso, não dá certo e a bola vai de presente para o adversário. Tive a impressão que, por várias vezes, ao invés de tocar a bola para mim, livre e desmarcado, preferiram chutar em cima do adversário, que pegou a bola e foi trocando passes até o gol.
Por isso tem funcionado mais eu criar coragem e ir até o meio de campo buscar a bola e começar as jogadas. Fazer isso é melhor, mas cansa dobrado e cinco vezes mais arriscado. Será que eu aguento fazer isso o tempo todo? Não precisa nem dizer que é isso que eu quero e devo fazer. Me aguardem!
Enfim, cheguei a 30 gols. O peso estabilizou em 89kg e percebo que estou emagrecendo em geral, mas, como cansei de ouvir, a última coisa que emagrece é a barriga. Mas falta pouco. Agora vou entrar num regime ainda mais radical e a academia agora é todo dia. Inclusive domingo.

Saldo de 2019:
39 jogos
30 gols
Clinton Davisson é jornalista, mestre em comunicação, pesquisador, roteirista e escritor. Autor da série de livros Hegemonia e Fáfia – A Copa do Mundo de 2022.

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