O último Tatooiniano Virgem, Episódio III
Neste momento outros troopers se aproximaram do grupo. Biggs logo percebeu que eram o que eles chamavam de “copiados”. Os amigos que estudavam na academia haviam mencionado estes caras; conhecidos por serem excessivamente leais ao império e que envelheciam depressa. O império estava lentamente trocando os copiados por recrutas da academia. Não eram famosos por sua amizade.
- Vocês vão mesmo entrar para a aliança? – perguntou Luke empolgado sem notar a aproximação dos outros.
-Claro que não! Está maluco! – gritou Naday cutucando o braço de Luke e apontando para o pequeno robô que flutuava entre os Storm Troopers. Luke então percebeu que era um robô filmador.
-Que furo! – sussurrou Biggs no ouvido de Luke. – Você é idiota, ou o quê?
Luke deu um sorriso amarelo para os Storm Troopers e tentou pensar em algo para mudar o assunto, mas, antes disso, Naday apontou para uma grande pirâmide de metal logo adiante.
- Se quiserem diversão, podem ir lá. É muito boa, estamos patrulhando esta área já faz três dias e as mulheres mais bonitas vão para lá.
-De quem é a festa? – perguntou Luke.
-Acho que o próprio Jabba, the Hutt, é o dono – respondeu Naday. – Costuma ser caro, mas se você comprou este Landspeeder, deve estar abastado...
- Vamos para lá, então! – Exclamou Biggs.
- Só tome cuidado, tivemos uma briga feia ontem com alguns mandalors. Parece que eles e nossos amigos aqui copiados se odeiam. Eu não entendo muito bem o porquê. Eles não se abrem muito – disse Naday olhando para interrogativamente para os “copiados”.
Luke e Biggs despediram-se dos storm troopers e rumaram para a grande pirâmide que parecia estar em ebulição. Mesmo a distância podia-se ver gente de diversas raças quase caindo pelas janelas. Vários veículos se amontoavam em volta na estrutura metálica que formava a pirâmide.
- Parece que o planeta está no cio! – exclamou Biggs parando o landspeeder.
- Será que é boa idéia estacionar aqui? – disse Luke apontando para um grupo de jawas que já olhavam fixamente para o veículo sem o menor pudor.
-Vou para aquele estacionamento ali – Biggs apontou para uma cerca grande de arame, haviam dezenas de veículos estacionados, mas ainda assim parecia haver espaço.
-Deve ser muito caro! – protestou Luke.
-Vamos passar todo o resto do ano para juntar o dinheiro, Luke! – replicou Biggs – Acredite em mim: esta vai ser a noite de nossas vidas!
Luke riu da solenidade na voz do amigo e acenou com a cabeça afirmativamente. Demoraram quase uma hora para finalmente estacionar o veículo dentro do cercado, que apesar da aparência frágil, era suficientemente alto para que os Jawas não entrassem e havia muitos seguranças gran com seus três olhos para assustar qualquer um que resolvesse adquirir um landspeeder sem pagar.
Subiram uma escada estreita até o primeiro andar da pirâmide. O cheiro de fumaça e suor era estranhamente agradável para os dois adolescentes. Luke teve que concordar que aquele ambiente era bem diferente da decadente Mos Esley que ele conhecia, ou, ao menos este era seu ponto de vista mais complacente depois de beber toda a garrafa de Ambusa. Caminhavam em linha, abrindo caminho pela multidão. Biggs ia à frente tentando encontrar o caminho do bar. A música era tocada por uma banda formada por três humanóides e dois wookies, com instrumentos de cordas e percussão. Coisa extremamente rara em Mos Esley, onde predominavam instrumentos de sopro. O vocalista se vestia todo de negro. Luke nunca ouvira este tipo de som, mas era contagiante e produzia uma enorme propensão para dançar.
-Nunca vi nada parecido com isso! – gritou Luke no ouvido de Biggs.
-O que disse?
-Deixa para lá!
-Vamos ver o que há nos outros andares? – Biggs apontou para a escada logo à frente. Luke entendeu e acenou afirmativamente. Os dois ficaram explorando o edifício como se estivessem num playground para adolescentes. A quantidade de mulheres que passavam por eles era tanta que ficaram indecisos. Luke era tímido e esperava que Biggs lhe desse um sinal para atacar, ou coisa parecida. Biggs, por sua vez, preocupava-se em não demonstrar para Luke que estava igualmente nervoso. Mas ambos profetizavam que, nem mesmo a idiotice que assolava a todos os seres na fase da adolescência, não seria páreo para o festival em Mos Esley. Era questão de tempo, e eles tinham a noite inteira ou, se precisassem, o resto do mês.
Subitamente Luke sentiu uma tonteira diferente da proporcionada pela embriaguez do ambuza. Algo que já sentira antes, uma intuição forte. Mais do que uma intuição, uma certeza. Como se uma força misteriosa lhe manipulasse os sentidos.
- Espere um pouco – disse a Biggs.
- Ein??
Luke puxou o amigo pelo braço em direção a um canto menos barulhento.
- Alguma coisa errada, Wormie? Você está com aquela cara estranha...
- Alguém está em perigo – disse Luke estranhando suas próprias palavras.
- Tudo aqui é perigoso, moramos em Taitooine, lembra? - Biggs deu de ombros e caminhou em direção à escada mais próxima. Havia seguranças em toda parte, mas muitos estavam caídos no chão sob o efeito de bebidas ou bastonetes da morte.
Luke olhou para uma porta entreaberta com um guarda gamorreano caído há apenas seis passos e resolveu entrar.
- Está maluco, Wormie? – protestou o amigo. – Não temos autorização para entrar aí...
Mas Luke não olhou para trás e foi adiante seguido por um Biggs apavorado. Depois de três intermináveis corredores, os adolescentes foram sair no que parecia ser um grande depósito. Luke escutou um barulho e fez sinal para que Biggs se abaixasse atrás de um conteiner. Logo depois o barulho aumentou e se transformou em gritos, não só perfeitamente audíveis, mas também impossíveis de serem ignorados. Biggs apontou para uma pilha de caixas colocadas de modo irregular.
-Vamos subir ali para ver melhor! – cochichou para Luke.
Os gritos eram femininos e pediam por socorro. Luke e Biggs viram três seres vestidos com a armadura mandalor arrastando uma jovem e um andróide de protocolo.
-Está havendo um terrível engano, senhores! – gritava o robô inutilmente.
-São capangas de Jabba! – sussurrou Biggs no ouvido de Luke. – Eles costumam seqüestrar estrangeiros para vender no mercado negro.
-Ela é linda! – exclamou Luke de modo inconvenientemente alto. O que fez Biggs cutucar seu braço em sinal de repreensão.
A boca de Luke permanecia aberta numa expressão patética. Do local onde estavam, podiam ver claramente a cena. A jovem não devia ter mais de dezesseis anos. Os olhos verdes brilhavam, a boca era grande, com lábios rosados e carnudos. Usava um vestido curto totalmente branco, característico de Alderam e uma capa da mesma cor. Além de deixar as pernas à mostra, o vestido apresentava uma abertura na barriga, mostrando um abdome perfeito, sem um traço de gordura. O andróide de cor prateada era uma marca registrada da arrogância das patricinhas de Alderam; protestava sem parar com seu jeito terrivelmente afeminado. Em determinado momento, os capangas de Jabba perderam a paciência e atiraram na barriga do andróide dividindo-o em sete partes diferentes. Assustada, a jovem pareceu perder a consciência. Os três madalorianos tiveram dificuldade em não deixa-la cair no chão.
- Ainda bem que não é com a gente, não é Luke? Estes estrangeiros deveriam tomar cuidado com...
Biggs olhou para o lado e não viu ninguém. Sentiu um frio glacial se apossar de sua barriga quando pensou no que Luke poderia estar querendo fazer. Para seu desespero, viu o jovem Skywalker já no topo da pilha mais alta de caixas; segurando uma caixa enorme por sobre a cabeça.
-Essa não! – praguejou Biggs.
Luke atirou a caixa na cabeça dos capangas de Jabba, acertou em cheio os dois que estavam de costas para ele. O outro segurou firmemente a jovem, que pareceu despertar com o estrondo. Luke saltou sobre o guarda gritando, mas este desviou rapidamente.
-Deixe a garota em paz! – gritou ingenuamente.
O guarda sorriu por trás da armadura e apontou o braço na direção de Luke. Ouviu-se um disparo e Luke foi rapidamente envolvido por uma corda branca e forte. Em seguida, o mandaloriano apontou uma pistola de raios para Luke, que indefeso, ouviu outro estrondo. Desta vez foi Biggs quem arremessara uma caixa na cabeça do mandalor.
- Eu não acredito que você é tão estúpido! – praguejava Biggs descendo da pilha de caixas.
- Quem são vocês? – Perguntou a garota tentando se levantar.
- Eu sou Luke Skywalker e estou aqui para salvá-la! – disse Luke enquanto pegava na mão da jovem e puxava em direção a saída. – Como você se chama?
- Meu dróid! – gritou a garota soltando a mão de Luke e correndo em direção aos pedaços do robô espalhados pelo chão do depósito.
- “Meudróid” é um nome muito bonito, parece wookie, não? – gracejou Biggs enquanto pegava a arma de um dos mandalor desacordados. – Mas precisamos sair daqui agora!
-Meu nome é Ívnia! Me ajudem aqui!
Luke correu e pegou a cabeça do dróid no chão. Ao fundo podia-se ouvir a aproximação do que parecia ser uma grande quantidade de guardas.
- Levando a cabeça e o tronco dá para consertar, mas se ficarmos mais um minuto não vai sobrar nada da gente!
- Estão vindo pelo caminho que entramos! – gritou Biggs.
Ívnia pegou o tórax de seu Dróid e correu para a porta oposta de onde haviam entrado. Luke e Biggs a seguiram. Entraram novamente num labirinto de corredores escuros. Podiam deduzir pelos sons que os guardas mandalor estavam sendo reanimados por outros guardas de Jabba. Biggs sentiu seu coração acelerar quando se depararam com um beco sem saída.
-E agora? – perguntou Biggs.
-Deve haver uma porta por aqui – disse Luke – Mas está muito escuro para achar os controles!
Luke tateou pelas rachaduras que encontrava na parece. Podia sentir que o som de passos apressados aumentava em sua direção.
- Você e suas idéias, Luke! – praguejou Biggs. – Se você queria esta menina, era só ir ao leilão de Jabba, que ela estaria à venda amanhã cedinho!
- Cala a boca, Biggs! – grunhiu Luke tateando desesperadamente pelo corredor. Até que sentiu algo que julgou ser um botão e empurrou com força para frente. Imediatamente o chão cedeu e se inclinou noventa graus para baixo. Num grito único e afinado, todos foram jogados do interior da pirâmide, para a madrugada tatooiniana. Sentiram o contraste do ar viciado, para o a brisa da noite, quando escorregaram pelo sistema de drenagem. Usado normalmente para retirar a água durante as lavagens do depósito, servia agora de atalho para fuga. Escorregaram e gritaram por cem metros até caírem numa poça de lama.
-Escapamos! – bradou Luke. - Estamos do lado de fora da pirâmide!
-E estamos perto do estacionamento, vamos! – observou Biggs.
-Aí vêm eles! – Gritou Ívnia apontando para cima.
Enquanto corriam para o estacionamento, podiam ver guardas no alto da pirâmide gesticulando e apontando para eles. Trataram de correr o mais rápido possível para o estacionamento. Depois de entrar no landspeeder, viram aterrorizados os três mandalor ativarem seus jatos e partir voando em sua direção.
-Aumenta a velocidade deste troço! – gritou Ívnia.
-Temos que ter cuidado para não bater nos outros veículos do estacionamento – protestou Biggs – Além disso, este “negócio” a que você se refere é muito caro!
Duas explosões sacudiram o landspeeder e encheram o interior do veículo de areia. Imediatamente um dos mandalor desceu sobre a parte da frente do veículo. Novamente uma arma estava apontada para Luke. Biggs reverteu a marcha do veículo e acelerou para trás. O mandalor soltou um grito e caiu de costas na areia. Tentava se levantar quando o veículo voou em sua direção acertando-lhe a cabeça. Novamente o mandalor estava desacordado.
Rumaram para a saída, desta vez em grande velocidade. Mas outros mandalor se apressaram em fechar o portão principal e começaram a atirar na direção do landspeeder.
- Como vamos sair daqui agora? – berrava Biggs desesperado.
Luke pegou a arma roubada e atirou. Um clarão iluminou a noite deixando irritados os olhos e ouvidos de Biggs, além disso, deixou um pequeno buraco na cerca. Biggs entendeu na hora e rumou na direção do rombo. Luke então regulou a intensidade do tiro para fazer um buraco ainda maior. Agora, eram cerca de vinte guardas que se amontoavam no estacionamento. Quando o veículo passou pela grade em meio à chuva de disparos, todos os mandalor acionaram seus jatos propulsores e partiram voando em formação de ataque.
- Eles estão vindo muito rápido! Como vamos fugir? – exclamou Ívnia.
Um dos mandalor chegou a se agarrar no aerofólio do veículo. A instabilidade fez com que Biggs perdesse o controle e batesse de frente com um speeder bike que passava, também a grande velocidade. O impacto fez com que o landspeeder rodopiasse trezentos e sessenta graus e jogasse o mandalor de encontro a uma parede. Biggs também caiu do veículo, mas teve a sorte de colidir com um grupo de jawas que assistia a tudo de longe, torcendo para que uma fatalidade disponibilizasse os veículos e equipamentos. Luke pulou para frente do veículo e assumiu o controle. Com uma manobra rápida, parou ao lado de Biggs e o puxou para dentro. Três mandalor pousaram em frente ao veículo e, antes que Luke esboçasse alguma reação, Ívnia pegou a arma e disparou contra a cabeça do mandaloriano mais próximo. O capacete se fragmentou com a explosão e o corpo sem vida tombou para trás. Assustados com a reação, os outros pareceram ficar paralisados por alguns segundos. Tempo suficiente para Luke ligar os propulsores ao máximo e avançar na direção de uma rua estreita.
- Você está indo rápido demais! Assim vamos bater! – alertava Ívnia.
- Não se preocupe! Eu sou bom piloto! – disse Luke – Segure-se!
Agora era um verdadeiro enxame mandalor que perseguia o landspeeder pelas ruas de Mos Esley. Ívnia atirava na direção deles e conseguia acertar alguns. Mas parecia não fazer diferença.
- Segure-se! – repetiu Luke antes de fazer uma curva excessivamente fechada, quase jogando Biggs novamente para fora do veículo, entrando num pequeno túnel que levava à praça principal da cidade. Ouviu-se então um festival de gritos e explosões, quando diversos mandalor se chocaram com as paredes do túnel. Mesmo assim, muitos continuaram a perseguição. Os tiros continuavam a zunir cada vez mais próximos.
- Confie em mim! Eu sei o que estou fazendo! – disse Luke para o espanto de Ívnia.
- Tem certeza? – perguntou Biggs depois de um tiro destruiu totalmente o parabrisa do veículo.
- Esta vendo ali, na esquina? – apontou Luke.
- Tudo o que vejo é a calda de um lagarto! – berrou Biggs.
Luke rumou a toda velocidade na direção da calda e tão logo dobrou a esquina, desacelerou completamente. Novamente Biggs foi jogado para fora do veículo, deslizando pela parte da frente e indo se espatifar na areia. Descarregava todos os xingamentos que conhecia em Luke quando os mandalor começaram a pousar a sua volta.
- Vocês acabam de arrumar um grande problema! – sentenciou o que parecia ser o líder dos mandalor, que eram cerca de quinze agora.
Ívnia fez menção de pegar a arma, mas Luke a deteve.
- Vocês sabiam que tráfico de escravos é crime? – perguntou Luke em voz alta para o mandalor, que pareceu ficar furioso com a ironia do rapaz. Um rugido tenebroso se fez ouvir na barulhenta noite de Mos Esley. Os mandalor entreolharam-se e depois viraram para trás assustados. O rugido era o de um dewback, o lagarto gigante usado como montaria por stormtroopers do império. Junto a ele, havia toda uma tropa imperial destacada para a vigilância da cidade. Luke torcia para que dentro de uma daquelas dezenas de armaduras brancas, estivesse algum conhecido.
Um grupo de oficiais se aproximou.
- Algum problema, Luke? – perguntou uma voz eletrônica, porém familiar.
- É melhor não interferirem nos negócios de Jabba, seus filhos de Fett! Seus copiados malditos – ameaçou o líder mandalor virando-se para os storm troopers.
O oficial apontou o rifle para o indivíduo e disparou em seu peito. Uma bolha de sangue e metal pareceu estourar no tórax do mandalor. Um cheiro de carne queimada impregnou o ar da praça. Os outros storm troopers prepararam ameaçadoramente suas armas. Todos os mandalor recuaram imediatamente.
- Jabba tem um acordo conosco de não agressão aos fazendeiros – disse a voz eletrônica do oficial. – Ele sabe que se romper este acordo, nós podemos romper alguns dos nossos. Vocês têm alguma coisa a dizer?
Um outro Mandalor acenou com a cabeça e fez uma reverência característica da raça. Depois se virou para os outros e fez sinal para que partissem. Todos ligaram seus jatos propulsores e voaram para longe. Luke finalmente respirou aliviado.
- Obrigado, Naday!
-Sempre as ordens, garoto! – respondeu o stormtrooper.
- Vou designar uma escolta para vocês! – determinou o oficial.
- Estou até me sentindo importante! – sorriu Biggs.
- Tenho que encontrar meu pai! – lembrou Ívnia. – Ele deve estar me procurando, deve estar preocupado!
- Não se preocupe! Se ele deu queixa sobre seu desaparecimento, deve estar na central de comando – tranqüilizou o oficial.
Luke olhou para Ívnia com um suspiro. Sabia que ela teria que ir a procura do pai o mais rápido possível. Sabia também, que o mais seguro seria que ele e Biggs corressem para a casa. Mesmo que Jabba cortasse a cabeça de quem prejudicasse um fazendeiro, não era sábio se arriscar. Restava olhar uma última vez para o rosto da menina de Alderam. Por um segundo, se perdeu olhando para as pernas roliças da menina. Os cabelos negros caindo sobre os olhos verdes. A pele estava suada e suja depois de toda correria da noite, mas ainda assim mostrava o brilho saudável da juventude.
- Acho que lhe devo um agradecimento por salvar minha vida. – disse Ívnia sorrindo.
- Ele não salvou sua vida! – interrompeu Biggs – Só te salvou de uma eternidade de servidão, só isso!
O rosto da menina se iluminou num sorriso maroto e seus olhos fitaram os de Luke por um tempo indeterminado. Luke quis dizer coisas. Mas ficou com medo de que estas coisas soassem piegas de mais sob os olhares de uma tropa do império. Limitou-se a sorrir.
-Obrigada a vocês dois! – sorriu Ívnia novamente, antes de acompanhar os StormTroopers.
Os sois, chamados Tato I e II ainda demorariam horas para se lançar no horizonte. Luke ficara algumas horas na casa de Biggs até sentir segurança para voltar à fazenda do tio. Quando Biggs partiu no Landspeed, Luke Skywalker não quis entrar em casa, ficou sentado na sua pedra favorita olhando para as estrelas. Sua breve aventura deveria saciar momentaneamente a fera devoradora de sua alma. Mas conhecer Ívnia acordou uma outra fera em Luke e deixar a garota, sem ao menos lhe dizer aquelas coisas que lhe vinham a mente, pareceu deixar a fera furiosa, ainda mais dilaceradora do que a anterior. Algo que nem vôos caçando roedores poderiam saciar. Fitando as estrelas, percebeu que elas eram como Ívnia, totalmente inatingíveis para ele. Estavam lá a sua espera, mas ele não podia sair do chão, estava preso para sempre ao solo desértico de Taitooine.
Naquela noite, Luke chegou à conclusão de que deveria fugir da fazenda. Abandonar os tios e pagar a um cargueiro qualquer para levá-lo bem longe. Trabalharia com cargueiros até poder se alistar na academia. Sentia que este era o seu destino, e que deveria fazer isto esta noite! Sem hesitar, entrou firmemente no interior da casa. Os passos firmes se depararam com um bilhete de tia Beru.
“Luke, o comerciante está hospedado no quarto de hóspedes, por favor, não faça barulho”.
Era a gota d’água para Luke, não aturaria nenhum ancião e sua família durante toda a época de celebração. Era o fim! Correu para o quarto com os olhos teimando em arder. Não queria chorar! Por que ele não podia ser forte? Queria apenas arrumar suas coisas para fugir.
Ao entrar no quarto, ele se deparou com um vulto branco que o fez dar um berro. Teve que se encostar à parede para se equilibrar. Por um segundo pensou se tratar de uma emboscada dos mandalor. Mas depois, se deparou com os mesmos olhos verdes. Os mesmos lábios rosados, o mesmo vestido branco, as mesmas pernas...
- Não grite! Meu pai tem sono pesado, mas não sei quanto aos seus tios!
A voz de Ívnia era o alimento que a fera precisava. Luke sentiu uma energia tão grande percorrer seu corpo, que não conseguiu conter o sorriso. Era um sorriso bobo, como o de uma criança que ganha um brinquedo novo. Ele chegou a tentar controla-lo, mas era inútil. Pensando bem, quem disse que ele deveria escondê-lo? Quem disse que não poderia sorrir?
- Consegui encontrar meu pai, graças ao seu amigo! E parece que vamos nos hospedar aqui na sua...
Luke não deixou que ela terminasse, abraçou-a com força e cobriu os lábios da menina com os seus. A fera estava solta! Sua alma, agora sibilava!
- Desculpe! – disse Luke assustado com a própria impetuosidade.
Ívnia sorriu novamente, o sorriso maroto e um olhar desconcertante. Luke não percebeu, mas ela o devorava com os olhos.
- Eu gostaria de agradecer por ter salvado minha vida! – disse Ívnia com a voz cada vez mais provocante.
- Bom, como disse o Biggs...eu só te...salvei...
Luke falava olhando para o chão. Era como se a fera estivesse se amansado temporariamente para, novamente, dar lugar ao desajeitado Luke Skywalker. Quando os olhos voltaram a fitar a menina novamente, o vestido branco havia saído da cena. Estava no chão, junto com a capa branca. Exatamente onde estavam os olhos de Luke segundos atrás. Olhos que agora se arregalavam e não conseguiam desviar do corpo da menina de Alderam.
Agora a fera não poderia mais ser contida. Luke sentiu o corpo quente da menina em seus braços. A pele macia sob a ponta de seus dedos. O beijo agora era muito mais ardente. O contato mais violento. Ívnia enfiou a mão sob a túnica que Luke vestia e arranhou suas costas com as unhas. Ao deitarem finalmente na cama, Luke murmurou que só teriam algumas horas antes do dia clarear em Taitooine. Ívnia discordou prontamente.
- Temos mais de um mês até acabar a época das celebrações, até lá, vou morar aqui com você...na sua casa...
(fim)
Glossário:
Ambusa: bebida alcoólica apreciada pelas caças coloniais na série de tv “Batlestar Galáctica”.
Gran: Raça conhecida por ter cabeça de camelo e três olhos.
Luke Skywalker: Filho de Anakin Skywalker, herói da batalha de Yavin e primeiro Mestre Jedi da Nova República. Treinado por Yoda, fundou a nova academia Jedi.
Owen Lars: Meio irmão de Anakin Skywalker, criou Luke Skywalker até que este completasse vinte anos. Owen escondeu de Luke a verdadeira identidade de seu pai, mas foi morto por tropas do império em Taitooine.
Beru Lars: Esposa de Owen, foi morta por tropas do império em Taitooine quando Luke tinha vinte anos.
Taitooine: Planeta natal de Luke Skywalker e seu pai, Anakin Skywalker. Planeta de um sistema solar binário, cujos sóis são denominados Tato I e II.
Landspeeder: Veículo flutuante usado como transporte terrestre.
Mandalore: Raça do caçador de recompensas Boba Fet; usam armadura e capacete esverdeados e um jato propulsor nas costas que possibilita voar. Os mandalor não viram com bons olhos a negociata de Jan Fet que permitiu ser clonado pelos caminoanos. Seus clones deram origem a tropa imperial.
Storm Troopers: Soldados do império galáctico do Imperador Palpatine. Usam armadura totalmente branca e capacetes brancos com visores infravermelhos. Foram a evolução natural dos clonetroopers originários do caçador de recompensas mandalor Jango Fet.
Dewback: Lagartos gigantes parecidos com dinossauros usados como montarias pelos Storm Troopers no deserto de Taitooine.
Jabba, the Hutt: bandido conhecido no planeta Taitooine. Morto no planeta Taitooine por Leia Organa, filha de Anakin Skywalker, às vésperas da batalha de Endor.
Mos Esley: Cidade portuária de Taitooine, onde Luke e Obi Wan conhecem o mercenário coreliano Han Solo.