A  droga da felicidade

- Me conta, como é que é? – pediu Max.
- Pode Crer em mim! – respondeu Ramalho – Vai lhe trazer a maior felicidade!
Max confiava em Ramalho e tinha certeza de que ele lhe contaria se isto não fosse estragar parte do prazer. Quando a noite chegou, Max mal pôde esperar para chegar ao banheiro da faculdade para tomar a pílula e sentar no vaso sanitário a espera de um orgasmo químico, uma felicidade que não veio. Esperou dez minutos e tudo o que conseguiu foi decorar todas as frases escritas na porta a sua frente. Decepcionado, resolveu assistir a aula. Max distraiu-se uns segundos olhando suas companheiras de sala. Faculdades parecem ser fábricas de mulheres bonitas. Em pleno verão, a sala era um festival de coxas de fora e seios quase a mostra! Tinha-se a impressão de que alguém proibira as moças de usar sutiã.
- Max!
Um dedo o cutucou por trás trazendo-o de volta a realidade. Ele se virou esperando ver a cara do professor pedindo que ele prestasse atenção em algum detalhe importante na vida de Getúlho Vargas. Mas era Carol, uma das meninas que certamente poderia disputar o título de mais gostosa da universidade. Era morena, tinha um corpo esguio, o qual ela sabia vestir com bom gosto. A pele era de um jambo apetitoso. Dava fome só de olhar!
- Max, preciso de um favor seu. - disse com uma voz doce, porém com extrema seriedade - Poderia me ajudar ali fora?
Max acenou com a cabeça afirmativamente; não seria cavalheiro se perguntasse do que se tratava. Apenas se levantou da carteira e acompanhou a menina até o corredor da universidade. Quando chegou ao banheiro, menina tapou a boca de Max com os lábios. Um beijo ardente, de paixão genuína e verdadeira. Como se ela esperasse a vida inteira para beija-lo. Dois minutos depois, Max estava sem ar. Ela se afastou para deixa-lo respirar. Depois desabotoou a blusa liberando os seios. Finalmente ela falou:
- Preciso que faça amor comigo, Max!
Foi a vez de Max não responder. Ao penetrar a menina, Max pareceu escutar toda uma orquestra sinfônica. Uma música celestial! Por cima dele, Carol se contorcia, gemia, sempre no ritmo da música. A pele morena reluzindo com o suor.
- Você faz tão gostoso, Max! - dizia ela.
 Max fechou o s olhos. Tudo que sentia eram os seios presos entre seus dedos e o cheiro provocante da menina. Uma mistura de suor, sexo e morango. Quando abriu os olhos, estava novamente na sala de aula. Seu corpo parecia ainda estar eletrizado, a respiração ofegante. Olhou para os lados confuso. Sentiu que seu corpo estava bastante suado. Estavam todos os alunos prestando a atenção na aula. Como viera parar ali?
“Essa não! Teria sido um sonho?” pensou chateado. Mas este foi realista de mais! Desconcertado, levantou-se para ir ao banheiro e lavar o rosto.
- Por isso que a chamam de droga da felicidade! - disse para sua própria imagem refletida no espelho do banheiro. Extasiado, Max resolveu ir para casa. Queria ligar para o amigo Ramalho. Ao chegar foi para o banheiro e tomou outra cápsula. Quando saiu tomou um susto: sua mãe estava a chorar.
- Max, meu filho, eu te disse que a droga não trás felicidade!
Max achou graça da pieguice da frase. Sentiu vontade de discordar, mas ficou quieto.
- Dona Alice, mãe do seu amigo Ramalho, ligou! – disse a mãe em prantos – Ele morreu!
Um calafrio percorreu o corpo de Max.
- Como assim, morreu? – indagou atordoado.
- Ela disse que foi overdose!
- Meu Deus! – foi tudo o que Max conseguiu dizer. Correu para o quarto e pôs-se a rezar. Jurou que nunca mais tomaria droga nenhuma. Dez minutos depois a mãe o chamou na cozinha. Max tremia de medo dos efeitos que a droga poderiam fazer com ele.
- Filho, antes de irmos à casa da Dona Alice, me ajude a matar esta barata enorme debaixo da pia.
Max correu para a cozinha, tinha medo de baratas, mas sua mãe tinha muito mais. Pegou um chinelo velho e olhou para debaixo da pia. De um pequeno ralo, começaram a sair dezenas de baratas. Max olhou em volta a procura da mãe, mas ela já tinha sumido para dentro da casa. Quando voltou a olhar o ralo, ouviu um estrondo.
- Mãe! – gritou.
O ralo havia explodido e milhares de baratas voavam para cima dele. Em menos de um segundo seu corpo estava coberto pelos insetos nojentos, em menos de cinco começaram a entrar por sua boca, seu nariz, seu anus. Ele sentia lhe devorarem por dentro. Não conseguia se mexer, muito menos respirar. Sentia apenas as mordidas por fora e por dentro do corpo. A morte veio lenta e dolorosa.
Quando a mãe chegou na cozinha, Max estava caído numa poça de sangue e vômito. Não havia nenhum sinal de baratas. Mais tarde o médico diria que a morte fora causada por algum tipo de alucinação que levou Max a ter um ataque cardíaco fulminante.