Origens
No ano 3583 de Tenrins uma nave de pesquisa chamada Valvet foi explorar a região nordeste de Jothunhein em Eloh. Um problema com a gravidade do planeta fez com que caíssem nas montanhas geladas. Sua tripulação de três mil soldados e cientistas ficou isolada durante oito meses por causa das dificuldades de comunicação com a capital Sintra. Um grupo, liderado pelo tenente Derick Smmith, resolveu se aventurar em uma jornada perigosa até a capital do planeta que, naquela época, era praticamente inexplorado pela Hegemonia além das fronteiras de Sintra. Assim, o grupo chegou cinco meses depois a cidade de Aloants onde puderam entrar em contato com Sintra e serem resgatados. Um grupo, entretanto resolveu ficar em Valvet e estabelecer um centro de pesquisas.
Com o passar dos anos várias comunidades foram se estabelecendo próximas a Valvet. A maioria de colonos miscigenados com os irkalla. Logo, porém, as colônias começaram a ser saqueadas por tribos de outras áreas atrás de tecnologia. Em 3602 houve o massacre de Rebaran onde uma invasão de skrimirs, vindo da península de nelcádia, matou 143 pessoas que moravam ao sul de Jothunhein. A partir daí, criou-se uma demanda por um governo central e pela criação de um exército organizado. Com o governo consolidado e a cidade protegida, as coisas mudaram de rumo. Em menos de cinco anos, as invasões deram lugar a comércio com as outras tribos e Valvet foi enriquecendo.
No ano de 3610 uma pesquisadora chamada Lesley Saknussen desenvolveu uma forma de retirar energia das pedras de vorândium através da separação de elétrons de nêutrons. A invenção fez sucesso entre as outras tribos locais e a cidade de Valvet se tornou ponto de comércio para a bateria alto-suficiente de extração de energia neutrônica, apelidada, bem ao estilo disoniano, com suas iniciais BASEEN. Com o tempo, a palavra foi se corrompendo pela geografia e cultura da região e o produto passou a ser conhecido como Basten. Os habitantes de Valvet resolveram construir uma cidade maior e melhor localizada no topo das montanhas para ser a sede do governo e assim, em 3711 de Tenrins, foi fundada a cidade de Basten.
Irkalla
O povo Irkalla sempre foi altamente religioso e veio do planeta Nefistes em tempos ainda não registrados oficialmente pelos historiadores. Mas concorda-se que foi bem antes de Tenrins. Seguindo a tradição dos disonianos de não permitir colônias estrangeiras em Dison, foram encaminhados para Elôh onde estabeleceram sua colônia.
A preferência pelas montanhas geladas de Jothunhein se justifica mais pelo gosto desse povo pela proximidade com o sol de seu planeta do que pelo frio. Pois, apesar de Nefistes possuir muitas regiões frias, é notório que a pele negra dos guerreiros irkalla não era adequada para as baixas temperaturas da região em que vieram a se estabelecer.
A miscigenação com os irkalla começou antes disso. Já havia crianças mestiças em 3599. A cor exageradamente branca dos híbridos foi certamente uma adaptação ao frio.
Governo
Bernard Verdon, capitão da Valvet, foi o primeiro líder da comunidade, mas retornou a Dison em 3600 de Tenrins. O primeiro representante eleito foi Grahan Crane ainda em 3599. Os líderes foram se alternando em eleições diretas entre os membros da comunidade até a primeira guerra civil em 3854. O maior motivo de conflito era religioso envolvendo um litígio filosófico entre os cientistas descendentes dos disonianos originais da Valvet, os guerreiros irkalla e os mestiços. Após um período conturbado Andrew Saknussen , neto de Lesley Saknussen , propôs que os líderes poderiam ser feitos em laboratório sob a supervisão e os desígnios dos irkalla. A idéia ainda renderia muitas brigas. Um dos maiores problemas era a diferença entre a longevidade dos descendentes dos disonianos, que na época, viviam mais de 300 anos, e os irkallas e os mestiços que não passavam dos 140. A proximidade com os raios do anel não ajudava. Assim, a engenharia genética ganhou força e passou a ser uma posição de extremo poder em Basten. Levou tempo, mas os irkallas concordaram que o líder perfeito deveria vir ao mundo ungido pelas bênçãos da engenharia genética.
Os irkallas então passaram a ter membros de seu alto conselho no governo e que participou do projeto “guerreiro perfeito” ou “Shawlen” na linguagem irkalla. Os guerreiros teriam o melhor do conceito genético irkalla, ou seja, seres capazes de superar as barreiras do tempo e ter visões do futuro. Algo extremamente útil a um governante, diga-se de passagem. Claro, nem sempre as previsões eram certeiras. Mas, invariavelmente, um Shawlen ou Schowlen antecipava o fim de seu reinado, ou seja, sua morte e mandava produzir o próximo clone. É comum um governante, que não tenha descendentes diretos, autorizar a produção de um clone quando sente seu fim próximo. Neste momento são produzidos, simultaneamente rei e rainha. Ou seja, dois irmãos gêmeos de sexos opostos que crescem juntos e se casam. Ambos são geneticamente programados para sentir forte atração um pelo outro.
O governo de Basten é composto por um rei vitalício e doze conselheiros eleitos por voto direto. Além disso, há governadores para as cinco províncias de Basten, todos projetados pela casa real e clonados para sucessão e programados para não ter ambições ao trono central e incapacitados de se reproduzir espontaneamente.
Em caso de morte do rei, ou governadores, sem deixar sucessor, fazia-se o procedimento de clonagem normalmente e o conselho ficava no poder até os clones terem idade para governar. Isso resultava um certo desleixo na autopreservação por parte dos monarcas, isso era geralmente confundido com coragem ao excesso.
Os poderes do rei eram limitados, mas gozavam, por exemplo, de imunidade para quais quer crimes à exceção dos crimes de genocídio e traição ao povo de Basten.
Houve pelo menos três casos onde rompeu-se a tradição e não houve casamento entre os gêmeos. O mais famoso foi o de Drasan Schowlen, assassinado por sua esposa, Olenda Sorja, durante as noites de núpcias. Rumores não confirmados afirmam que o motivo do crime foi a paixão de Olenda por um sacerdote irkalla chamado Jendar. Os dois fugiram para Sintra e nunca mais foram vistos. Mas outra versão diz que Jendar teria matado Olenda pelo crime de matar o rei e posteriormente cometido suicídio, ou mesmo, banido do reino.
A administração de Basten é dividida entre os poderes executivo-moderador (rei) e legislativo-judiciário (conselho). Setores como alimentação, educação, relações exteriores, economia, saúde, engenharia, etc, são divididos em Ativos, que, por sua vez, são divididos em Unidades de Serviço.
Ron e Dúnia
A última tradição rompida foi a de Ron e Dúnia Schowlen. Em 413, durante a guerra das estradas, o monarca Shodan foi vitima de uma emboscada na região de Kellyni. Salvo por dois gelfos chamados Turok e Grumman, ele não conseguiu evitar a morte de Shiba, sua companheira. Quando o conselho preparou seus sucessores, Shodan quebrou a tradição desposando Dúnia e proibindo a todos de informar aos novos gêmeos sobre a verdade. Foi encomendada aos cientistas um “cura” para a programação genética do casal de irmãos, mas, além de não funcionar, o remédio causava surtos psicóticos. (registro da natureza do remédio foi perdida entre os arquivos).
Conforme foram crescendo, a programação genética de Ron e Dúnia os fazia sentir forte atração mútua. Novamente Shodan tentou contornar a situação incutindo forte orientação religiosa em seus irmãos, mas não conseguiu evitar que Ron se revoltasse e o desfiasse várias vezes. O conflito culminou com Ron abandonando o reino para estudar em Dison, capital da Hegemonia.
Sabe-se que Dúnia descobriu a verdade, mas nunca se divulgou a fonte. As suspeitas recaem sobre o atual marido, Den, que, na época, era chefe da guarda de Basten, expulso por Shodan pouco antes do exílio de Ron. Documentos médicos revelam que a rainha teria passado por sérios problemas psicológicos. Em depoimento posterior, ela afirmou que tentou contar a Ron logo após seu retorno. “Devido à programação genética, Ron ficava muito agressivo com a situação. Tive medo que, ao saber a verdade, ele desafiasse novamente o irmão que tanto amava. Mas também não conseguia mais participar daquela mentira. Fiz opção pelo silêncio, mas no dia anterior a morte de Shodan eu o confrontei e o fiz prometer que contaria a verdade para Ron”, afirmou Dúnia e acrescentou: “No dia de sua morte, horas antes do momento fatal, Shodan me enviou uma mensagem, dizendo que sentia muito por mim e por Ron. Assumiu a culpa e pediu perdão. Explicou que achava que estar comigo era a única maneira de ter Shiba de volta, mas que estava feliz, pois ia se encontrar com ela em Asgard”.
Ron só foi saber de toda a verdade meses depois da morte de Shodan. Testes feitos posteriormente concluíram que a atração entre os dois ainda era latente, porém amenizada pela presença de outros parceiros. Algo óbvio, mas que os cientistas de Basten não haviam pensado antes.
Religião
A origem da dicotomia, que separaria o mundo entre o bem e o mal, certo e errado, que vivem se confundindo, veio dos irlallas. Os primeiros irkalla dividiam-se em dois grupos: o dos agrícolas e o dos nômades. Aos agrícolas cabia cultuar a terra e aprender a receber os frutos da mesma. As tribos eram constituídas de homens que se fixavam num local e atribuíam à terra que os alimentava, uma série de poderes divinos. Como não compreendiam os mecanismos do plantio, do crescimento e da frutificação, atribuíam poderes divinos à Elôh, a Grande Mãe, pela fartura. Desses povos advieram todos os mitos femininos que nos foram trazidos como herança desde tempos imemoriais.
Os nômades não tinham lugares fixos e viviam muito mais da caça e daquilo que podiam trocar ou saquear dos agrícolas. Não tinham dedicação à terra e seus cultos eram bem diferentes. Admiravam as estrelas e acreditavam que os verdadeiros deuses povoavam os céus. Dos povos nômades vieram os deuses guerreiros e conquistadores, além da idéia geralmente difundida de que "deus está no céu". Na verdade, deus estava inicialmente no alto de uma grande montanha, o monte Nyom. Com o aumento da tecnologia, os irkallas puderam explorar as grandes montanhas e, surpresa! Não havia nenhum deus lá. Então, eles passaram a ocupar os céus de Eloh.
Das observações do firmamento surgiram várias crenças: deuses que viriam do espaço e até o templo, espaço sagrado onde fiéis se reúnem para seus rituais. O termo "templum" adveio de um quadrilátero imaginário que os antigos sacerdotes traçavam no céu, tomando como referência certas estrelas do firmamento. O que se passava dentro desse quadrilátero era motivo de análise e previsão: nuvens, vôo dos pássaros, etc. Com o tempo, projetou-se esse espaço no chão e aí se faziam as previsões. Paredes foram edificadas no perímetro do quadrilátero e acima delas, o teto.
O termo "fanum" representa aquilo que está dentro do templo, sagrado. "profanun", conseqüentemente, representa o que está fora, ou seja, o não sagrado. O próprio termo sagrado vem de sacer, que significa lugar marcado, delimitado.
Entretanto, a crença em Odim, o senhor dos deuses, é um mistério ainda não resolvido pelos historiadores, já que Odim é uma divindade histórica da mitologia dos seres humanos, os criadores de Dison e Elôh. Não se sabe, como, nem por quê, essa mitologia veio se instaurar entre os irkalla. Uma hipótese era a presença, na Valvet, do historiador Mark Gilmore, estudioso em lendas humanas perdidas com o tempo. Registros dizem que, antes de embarcar na Valvet, ele teve permissão de ingressar em uma expedição arqueológica ao interior proibido de Dison junto com a então tenente Lilith Thranna que, posteriormente viria a se tornar rainha da Hegemonia.
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